Historia do método Científico

História do Método Científico

O desenvolvimento do método científico envolve algumas das mais iluminadas culturas da história, da mesma maneira que alguns dos maiores cientistas, filósofos e teólogos.  Das observações dos Gregos Antigos e Zoroastros, até o Telescópio Espacial Hubble, a história do método científico está presente no desenvolvimento de toda a ciência e tecnologia.

Nos tempos que duas grandes culturas, Grécia Antiga e Persia Antiga, buscavam domínios e guerreavam entre si em guerras tais como Termópilas, Salamina e Platéias, é fácil esquecer que essas duas culturas também tinham um grande respeito mútuo, e trocavam idéias e conhecimentos. Não é surpreendente afirmar que o início da história do método científico se deu nesta época.

Enquanto astrônomos, físicos e matemáticos da Babilônia, Índia e Egito desenvolviam idéias empíricas, foram os Gregos os primeiros a desenvolver a metedologia conhecida como método científico. Inicialmente, os filósofos Gregos não acreditavam na fundamentação empírica, e enxergavam as medidas, por exemplo a geometria, como um assunto pertencente a artesãos e artistas. Filósofos, como Platão, acreditavam que todo o conhecimento poderia ser obtido através do raciocínio, e que não havia nenhuma necessidade de medidas e observações externas. Aristóteles, conhecido como o pai da ciência, foi o primeiro a enxergar a importância das medições empíricas, acreditando que o conhecimento só poderia ser adquirido através de construções sobre o que já é conhecido.

Os conceitos de medição e observação, que são as fundações sobre as quais a ciência de hoje em dia está construida, foram as contribuições de Aristóteles. Ele propôs o conceito de indução como uma ferramenta para adquirir conhecimento, e compreendeu que o raciocínio abstrato deve ser defendido por descobrimentos feitos no mundo real. Aristóteles aplicou os seus métodos em quase tudo, desde poesia e política até astronomia e história natural. O seu método “pré-científico” involvia observações meticulosas de praticamente qualquer coisa e assunto.

Os métodos de Aristóteles podem ser resumidos da seguinte maneira:

1)      Estudar o que outros escreveram sobre o assunto.

2)      Procurar um consenso geral sobre o assunto.

3)      Realizar um estudo sistemático de tudo diretamente e indiretamente relacionado ao assunto.

Este foi um primeiro sinal do método científico, com revisões literárias, consenso e observações. Os gregos foram os primeiros a subdividir e nomear os ramos da ciência de uma maneira reconhecível: física, biologia, política, zoologia e poesia.

Também é necessário reconhecer os trabalhos realizados por brilhantes filósofos muçulmanos. Eles preservaram o conhecimento gerado pelos Gregos Antigos, incluindo Aristóteles, ao mesmo tempo que fizeram contribuições próprias, e foram os catalisadores da formação do método científico reconhecido pelos cientistas e filósofos modernos. O primeiro, e possivelmente mais importante acadêmico islâmico, foi Ibn al-Haytham, mais conhecido pelo seu trabalho sobre luz e visão, chamado “O Livro da Ótica”. Ele desenvolvou um método científico muito similar ao que utilizamos hoje em dia:

1)      Enunciar e explicitar o problema em questão, baseado em observação e experimentação.

2)      Testar ou criticar as hipóteses através de experimentação.

3)      Interpretar os dados obtidos e chegar a uma conclusão.

4)      Publicação das conclusões.

Ibn al-Haytham, compreendeu, brilhantemente, que a experimentação e medição de maneira controlada e sistemática eram essenciais para o descobrimento de novos conhecimentos, baseados em conceitos previamente estabelecidos. Outras contribuições suas foram o conceito que a ciência é a busca pela verdade e que uma das poucas maneiras de atingir este objetivo é através do ceticismo e questionamento.

Outros escolares muçulmanos que contribuiram para o método científico, refinando e preservando o método foram:

  • Al-Biruni: compreendeu que observadores humanos estão sujeitos a erro e tendências, propondo que experimentos precisam de várias repetições antes que um consenso comum possa ser atingido.
  • Al-Rahwi: foi o primeiro escolar a utilizar um processo de revisão em conjunto.
  • Abu Jabir (também conhecido como Geber): é comumente referido como o pai da química, foi o primeiro acadêmico a introduzir o conceito de experimentação controlada, e afastou a alquimia do mundo da superstição para próximo do mundo de medições empíricas.

Outros escolares islâmicos fizeram diversas contribuições, contudo, o declínio das Casas Islâmicas de Conhecimento fez com que a história do método científico ruma-se em direção a Europa e o Renascimento.

O Renascimento foi outro ponto crucial no desenvolvimento do método científico, aonde escolares europeus utilizaram o conhecimento previamente estabelecido pelos gregos e muçulmanos e fizeram suas próprias adições. É impossível listar todos os escolares que contribuiram para o método científico, mas abaixo estão listados alguns nomes que se destacaram neste processo:

  • Roger Bacon (1214 – 1294): desenvolveu o conceito de observação, hipotetização e experimentação para testar as hipóteses. Adicionalmente, Bacon documentou seus experimentos meticulosamente de modo que outros cientistas pudessem repetir seus experimentos e verifircar os seus resultados.
  • Francis Bacon (1561 – 1626): foi um dos maiores contribuidores do método científico. Ele ressaltou a importância da indução como uma parte do método científico. Bacon acreditava que a experimentação pode ser utilizada para eliminar teorias conflitantes para chegar mais próximo da verdade.
  • Descartes (1596 – 1650): em contraste com outros escolares, acreditava firmemente que o universo funciona como uma grande máquina, e por isso, quem compreendesse as leis básicas do universo poderia deduzir como qualquer coisa funcionará.
  • Galileo (1564 – 1642): geralmente conhecido pelo seu famoso experimento da gravidade, também contribuiu valorosamente para o método científico, físicos como Einstein e Hawking o proclamaram como pai da ciência moderna.

A metodologia utilizada por Galileo moldou a física e outras áreas que se baseiam em teoremas matemáticos. Seus métodos, que foram as origens da ruptura entre a ciência e a religião, incluíam a padronização de medidas de modo a permitir que os resultados experimentais pudessem ser verificacos sob qualquer ocasião. Galileo compreendia que nenhuma evidência empírica poderia se igualar a previsões teóricas. Ele acreditava ser impossível, para um experimentador, levar em conta todas as variáveis envolvidas.

O período coberto pelos séculos XVI e XVII é comumente referido como Revolução Científica. Neste período foram lançados diversos elementos requeridos para o método científico. A Sociedade Real (Royal Society) foi fundada em 1660 visando reunir um grupo de especialistas em diversas áreas da ciência para aconselhar, guiar e principalmente gerenciar a disseminação da informação através do estabelecimento de publicações. Um de seus atos foi a determinação que a evidência experimental sempre supera a evidência teórica, estabelecendo um dos pilares da ciência moderna. Também, a prática de publicações levou naturalmente à prática de revisão em conjunto das descobertas, um processo claramente adaptado das práticas muçulmanas. A Revolução Científica atingiu o seu pico com Isaac Newton, que fez provavelmente uma das maiores contribuições para a história do método científico. Newton foi o primeiro a compreender que o método científico precisava tanto da dedução quanto da indução.

Durante 3 séculos, o método científico desenvolvido por Bacon e Newton foi o principal veículo para as descobertas científicas. Entretanto, as idéias desenvolvidas por esses dois personagens vieram de um tempo em que a maioria dos cientistas era politécnicos, trabalhando em várias áreas da ciência e ao mesmo tempo compreendendo filosofia e teologia. Ao longo do tempo, a ciência se afastou gradativamente dessas duas áreas e evoluiu para uma área distinta de estudo, que, adicionalmente, aumentou a sua complexidade e abrangência tornando impossível para um acadêmico dominar todas as disciplinas. A ciência começou a se subdividir em química, física, biologia e metapsicologia aumentando a complexidade do método científico. Os físicos estavam confortáveis com os métodos indutivos de Bacon, porém os psicólogos viam dificuldades cada vez maiores para aplicar certos conceitos à grande variabilidade da mente humana. Como resultado, o século XX vislumbrou uma grande mudança no método científico e que foi a motivadora de estudos de vários filósofos científicos, dentre os quais se destacam os trabalhos de Karl Popper, Thomas Kuhn e Paul Feyerabend, este último também conhecido como “Anarquista Científico”.

O principal foco do estudo de Popper foi o estabelecimento do conceito de que a ciência não é infalível, levando-o a questionar a própria definição de ciência. Desta maneira Popper procurou desenvolver um método científico que atendia as limitações de diferentes áreas da ciência. Ele postulou que a ciência avança através um processo de “conjecturas e refutações”, que um cientista teórica desenvolveria teorias e um cientista empírico tentaria testar esta teoria até a sua destruição. Desta maneira, se uma teoria pudesse ser testada então ela não poderia ser científica. O próximo escolar do século XX que se destacou no estudo do método científico foi Thomas Kuhn ao introduzir a idéia de paradigmas. Ele acreditava que um grupo de cientistas manteria um determinado paradigma, ao ponto da teimosia, até alguma evidência se tornar tão grandiosa que uma “mudança de paradigma” fosse inevitável. Por exemplo, alguns físicos acreditavam que elétrons eram partículas, outros que elétrons fossem ondas, e agora, com a física quântica, novas definições estão se abrindo e os paradigmas antigos estão mudando novamente. Dos filósofos do século XX, o último que se destacou foi Paul Feyerabend. Ele acreditava que a tentativa de fazer com que todas as disciplinas englobadas pela ciência seguissem um determinado conjunto de regras dificultava o curso da ciência, pelo fato que essas disciplinas ao longo do tempo se tornaram complexas demais para serem unidas por um só método. Um de seus exemplos era de que como uma grande quantidade de físicos que não tem nenhuma compreenção clara de filosofia podem ser limitados pela mesma? De acordo com Feyerabend, se Copernicus, Darwin, Einstein e Wegener tivessem se limitado às regras do método científico eles teriam ficado limitados a pequenos avanços sem nunca terem conseguido impulso o bastante para propor uma teoria grande e inovadora.

Após uma longa história, o método científico passou por várias mudanças e chegou num ponto no qual foi identificado que o seu uso deve ser distinto para diferentes áreas da ciência. Para físicos por exemplo, as idéias de Popper sobre “falsicabilidade” são muito úteis enquanto que para cientistas sociais e comportamentais as idéias de Feyerabend se mostram mais alinhadas. Independente de qual método for o mais aceito, o método científico foi construido sobre longa história que contou com contribuições das maiores mentes da história da humanidade.

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